Desconforto

Passei 12 horas limpando minha casa. Imagine como estava suja. Desta vez nem me cansei, quer dizer, ainda não tomei banho e me deitei para saber como estarão minhas costas. Eu devia dar aula de faxina. Podem rir. Mas falo sério. Descobri e inventei jeitos muito rápidos de se limpar chão e vidros, por exemplo. Hoje demorei porque limpei até em cima do guarda roupa, quadros e objetos de decoração, isto demora demais.

Faxinar a alma foi isto que fiz. Chorei tanto, dialoguei mentalmente com tudo o que achei feio no meu coração. Não me canso de achar feio.

Transformei o que consegui em bonito e fiz uma pessoa linda chorar.

É muito ruim não sentir a mesma paixão, o mesmo tesão e a mesma vontade de namorar que o outro lado sente. Eu prefiro falar do que fugir. Falei . Ela chorou, ficou brava comigo. Queria uma resposta lógica, eu não tenho. A única coisa que sei é que estou fechada para balanço. Não consigo namorar ninguém além de mim mesma.

Só espero que eu não demore mais 4 anos, como da última vez.

Inédito é eu terminar um namoro e conseguir continuar sendo amiga. Acho que o segredo é a gente começar sendo amiga, depois se um dos lados desencanar, mudar de idéia ou não quiser correr riscos, o que no fundo é a mesma coisa, a amizade permanece.

Se a gente tivesse mais perto eu iria abraçá-la. E daria a cara a tapa sim, iria ouvir tudo e mais um pouco e sustentar toda a raiva dela. Faz parte.

É muito delicado se apaixonar por alguém. Tem muitas nuances. Tem muitos quereres. Eu sei que de perto ninguém é normal, e a normalidade não me interessa.

Mas eu estou muito diferente. Como se eu fosse outra pessoa, como se tudo aquilo que eu sempre quis em uma parceria amorosa eu não quisesse mais. Gente, eu parei de comer carne. Todas. Domingo tive uma experiência tão forte e linda na Seicho-no-iê enquanto meditava que só contei para o meu Príncipe. Ele sabe que não é loucura, é visitação. Ele valida minha sensibilidade e me dá lugar.

Eu abri espaço na minha casa toda, mudei uns móveis de lugar. Já era linda, sério , ficou mais linda ainda, porque agora tem leveza e harmonia na circulação.

Tenho uma amiga arquiteta que diz que eu deveria ter feito arquitetura. Gosto demais de arrumar a circulação dos ambientes.

Energia precisa circular. Passei pelo meio do inferno nesta limpeza de astral. Gosto demais das transparências dos vidros e do perfume no ar. Lembrei dos quadros do Magritte. A transparência que ele consegue nas telas me representa.

Amor sem arte desconhece o inesperado. Arte não serve para nada e muitas vezes causa um desconforto enorme. Sim, eu sei que tem gente que faz da arte, terapia.

Eu sempre fui uma psicanalista anti terapia. Informava meus pacientes na primeira sessão, “eu sou contra terapia, vamos ficar juntos apenas o tempo que for necessário para suas questões serem organizadas”. Nunca acreditei em cura. A gente aprende a conviver com nosso céu e nosso inferno na terapia, só isto. E o terapeuta tem obrigação de saber que ele é incapaz de dar conta de todos os conteúdos do seu paciente e ter a decência de encaminhá-lo para um colega, quando se deparar com uma limitação pessoal, ainda não elaborada.

Nem todo mundo tem decência. As pessoas gostam demais de dinheiro. E os pacientes gostam de lugares confortáveis e seguros, nem que tenham que pagar verdadeiras fortunas para se manterem ali. E pagam.

Eu devolvi meu CRP e adoro ser artista. Mas reconheço que os anos de análise me deram maturidade emocional para eu chegar até aqui.

Agora veio o cansaço. Vou tomar banho e dormir. Amanhã é outro dia.

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Carona

Num dia chuvoso no Guarujá, eu sem dinheiro para táxi ou Uber, tinha 10 minutos para chegar em uma repartição pública, longe da prefeitura onde eu estava, com todos os documentos necessários em mãos, decidi pedir carona para quem encontrasse no caminho. A rodoviária fica ao lado da prefeitura. Vi um carro branco estacionado no terminal de ônibus, não me pergunte a marca e o modelo do carro porque sou péssima para isto. Vi que tinha alguém dentro, bati no vidro e a moça ouviu toda esta ladainha que acabei de escrever, acreditou em mim e me deu carona até o lugar combinado. A confiança acontece é no olhar. Me contou que ficou com medo de abrir o vidro debaixo de chuva e me perguntou se eu não tinha medo de entrar em um carro estranho. Eu nunca pensei nisto, do meu ponto de vista somos todos conhecidos, somos humanos. Tenho medo é da mentira, mas ela não me pareceu mentirosa, pelo contrário. Era curiosa para saber da minha vida no Guarujá e me encheu de perguntas. Todas foram respondidas.

Nem era caminho dela, mas ela foi gentil e me levou até o meu destino, a tempo de eu conseguir entregar aquela documentação numa sexta feira chuvosa em final de expediente. Acabei esquecendo meu guarda chuva no carro dela e assim descobrimos que morávamos na mesma rua, com apenas uma esquina entre nós.

Ficamos amigas, não quando ela me convidou no Facebook ou pegou meu número de WhatsApp, mas quando passamos a viajar juntas para São Paulo. Sim ela faz bate e volta diariamente, trabalha lá. Mora aqui. E algumas vezes viajamos juntas.

A vida acontece ao vivo. E o legal de se viver ao vivo é que a gente entende que a dor do outro é sua também, então a gente se abraça e passa a usar o verbo no plural.

Acho incrível como algumas pessoas que cruzam o meu caminho têm a capacidade de empatia e conseguem deixar o pesado ficar leve.

Minha vizinha, minha amiga de carona e minha confidente, muito obrigada, por entender que a gente não pode mais viver amores estonteantes e paixões avassaladoras porque estas detonam o nosso patrimônio, acabam com a nossa saúde e nos tiram completamente do eixo.

Sim, você tem toda razão, não podemos desestabilizar nosso espírito. Amor tranquilo mantém o calor constante.

De pensar que era só uma carona o que eu achava que precisava… A vida é mágica !

Escola

Tenho uma lista de coisas que gostaria de fazer diariamente, hoje não consegui fazer a faxina, nem a escultura em argila. Os outros 8 itens listados, fiz com perfeição.

Por que será que a gente sempre olha para aquilo que está faltando fazer ? Seria tão mais amoroso se olhar para o que foi feito, e que não foi pouca coisa.

Aprendi a estudar em uma escola experimental que tinha como primeira aula, todos os dias, o TP, vulgo trabalho pessoal. Sim, estudei no Vera Cruz no período da ditadura no Brasil. Neste horário,todo aluno tinha um número x de cadernos de exercícios para fazer sozinho e deveríamos fazer semanalmente pelo menos um caderno de cada matéria. Se sobrasse tempo, poderíamos ler um livro, inventar um jogo de tabuleiro ou nos aprofundar em determinada matéria com um caderno extra de exercícios.

Não me lembro de uma semana que consegui terminar todas as fichas, era assim que chamávamos os tais cadernos. Sempre fui muito falante. Eu ia para escola para conversar, brincar e jogar nos campeonatos, nunca fui para aprender matéria. Mas eu gostava muito de assistir as aulas e fazer os exercícios, achava tudo muito divertido. Ficava pensando fora dali em tudo aquilo que os professores diziam. Eu sempre amei meus professores.

A única professora que sofreu comigo foi a Zezé, a da 5 série. Pensa que eu amava a Elisa da 4 série, último ano do fundamental de hoje, aí eu descobri que ela não iria passar de ano com a turma toda. Sim, nós passaríamos e ela ficaria para sempre na 4 série. Tentei repetir aquele ano, não deu certo, lá fui eu para a sala da Zezé. Pensa que eu passei 6 meses sem falar com a professora, sem olhar na cara dela e com isto me dediquei mais aos estudos, muito mais.

Às vezes é melhor a gente não amar e não ter adoração pela professora, quando se tem um temperamento sanguíneo como o meu. Excesso de amor, atrapalha ! A criatura perde a noção de responsabilidade e acaba não aproveitando tanto.

Depois de 6 meses de geladeira, passei a gostar muito da Zezé também. Ela ria das minhas palhaçadas e ficava vermelha de vergonha com as minhas perguntas. Como eu gostava ! Claro que até ela percebeu que meu rendimento caiu pela metade e veio me perguntar se deveríamos ficar sem nos falar novamente para que minhas notas subissem.

Nunca fui preocupada com nota, gostava mesmo era de estar com as pessoas da escola. Desde a faxineira, passando pela secretaria e almoxarifado até a coordenação eu beijava e abraçava diariamente quando entrava e quando saía da escola, além de contar histórias e ouvir outras tantas também. Eu era muito querida e isto é o que importava para mim. Acho que os professores nunca entenderam isto.

Pensa que tinha dia que eu não queria voltar pra casa, e não voltava, inventava alguma coisa para fazer e por lá ficava. Crianças sabem onde são bem vindas. Crianças sabem quem realmente preza pela companhia delas. Crianças sabem quando o que está em jogo é o dinheiro delas e não elas em sí.

Acho que aprendi a listar minhas obrigações no TP desta escola, e talvez tenha aprendido lá também a dar tanta importância para o que está faltando fazer. Gente, sempre vai estar faltando alguma coisa. O dia que estiver tudo pronto, feito e perfeito é porque meu coração parou de bater. Morri.

Somos movidos pela falta, talvez por isto eu sempre faça listas impossíveis de serem executadas em 16 horas de trabalho, é bom saber que amanhã é outro dia e que eu estarei viva. Irei acordar e além de fazer o que não fiz no dia anterior terei mais um milhão de coisas que vou querer fazer.

Não chamo isto de insatisfação mas considero uma ambição. Um treino de perseverança. Sim, tudo se treina nesta vida, e o que não se treina, se ensaia. Com raras exceções, é claro !

Sereno

Ainda não estudei hoje e resolvi escrever. Têm duas coisas que me dão contornos quando entro em estado de dispersão, como o de hoje, durante o dia todo, uma é fazer esculturas de argila e outra é escrever. Na verdade descobri uma terceira agora á pouco e estou muito feliz com esta nova possibilidade. Acho que me apaixonei.

Meu príncipe, me acolheu também. Ele nunca duvida de mim e isto é maravilhoso. Ele sabe que quando peço por proteção é porque estou péssima, me debatendo sem conseguir sair do enrosco energético que me enfiei. Pedi e ele me abraçou. O silêncio dele é o mais falante que conheço. Estamos felizes de novo. Consegui fazer o nó virar laço e ainda sair com o laço na cabeça para me alegrar.

Meu coração está se abrindo para você. A verdade que vive entre nós salpicada de confiança está crescendo a cada dia. Intimidade.

Respiro fundo em paz novamente. Agora consigo estudar e se bobear ainda faço uma escultura inaugurando uma nova série delas. Serenidade faz serenar.

Sereno também molha. Te quero.

Lei

Nem sei como dizer o quanto estou agradecida a todas as coisas, pessoas e fatos que preencheram minha vida até aqui. Ajoelhada na frente do túmulo dos meus avós e bisavós e depois no túmulo do meu pai, eu agradeci emocionada, do fundo da minha alma. Sim, todos foram enterrados no mesmo cemitério. Cemitério São Paulo.

A magia da vida atravessa nossas raízes.

Considero o gesto de ajoelhar-se frente a alguém, mesmo que “in memorian” o mais nobre de todos os gestos, em se tratando de gratidão.

É sagrado ser reconhecido profissionalmente. É sagrado ser incluído em um processo seletivo, significativo.

Alguém como eu, de espírito científico-artístico anárquico, ter lugar no mercado de trabalho, aos 53 anos, no Brasil, é um sonho.

Esta história de meditar duas vezes ao dia provoca alegrias inusitadas.

Depois de 12 anos de penduraíbas começo a vislumbrar luz no final do túnel. Sim, eu mereço o melhor da vida ! O melhor, o mais bonito, o mais luxuoso e o mais confortável !

Quero que meus avós, bisavós, e meu pai tenham orgulho de mim lá de onde eles estão. Quero que eles saibam que não foi em vão toda educação e cultura que me deram, nem todos os valores e todas as crenças que me foram passadas.

Quero que eles saibam que não foi em vão todas as privações que passaram para que eu não sofresse o que eles corajosamente sofreram.

Eu sou meus antepassados.

Tem sempre um pouco de dor na alegria. Tem sempre um pouco de morte na vida. Tem sempre um pouco de fracasso no sucesso.

Talvez por isto, seja tão importante estar inteiro e lúcido quando estamos doendo, sofrendo, fracassando, falhando… morrendo.

O hexagrama 23 do I Ching fala de morte e se chama Desintegração. Fala do poder obscuro que solapa o poder luminoso até voltar- se contra si mesmo e cair por terra. E no momento seguinte o hexagrama 24, O Ponto de mutação, fala da vida, do poder luminoso, que sempre renasce após ser solapado pelo poder obscuro. Isto é assim.

É lei da natureza. Após a destruição vem o renascimento. Não devemos nos identificar com nenhuma parte deste processo, inclusive porque ele é cíclico. Mas, diz o I Ching, devemos nos manter ligados á nossa natureza original e eterna. Daí a importância do auto-conhecimento, da responsabilidade e do comprometimento.

Ainda que ninguém acredite em você, se você acredita em sí mesmo e sabe que o que faz, fala, pensa e sente é verdadeiro e real, saiba que mais cedo ou mais tarde seus semelhantes o encontrarão.

Semelhante atrai semelhante.

Serenidade

Sentir tesão é um presente.  Estar viva é tão legal, não sei como é estar morta, imagino que deva ser legal também, mas ter lugar na vida de alguém, um lugar no coração de alguém é transcendental porque me dá lugar no mundo e isto me acalma. Muito.

Na serenidade sobra tempo.

Pensa que eu já fazia milhões de coisas, agora então…resolvi arrumar mais um curso online, de tanta paz que estou sentindo. Encontrei alguém que responde. Corresponde. Alguém que mete o pitaco, e se preocupa se estou preparada para as avaliações futuras, me mandando estudar. Achei tão carinhoso. Ria sozinha. Alto.

Pensa que nem minha mãe nunca me mandou estudar, ou, foi em alguma reunião de escola para saber do meu desempenho escolar. Ela nunca gostou, achava uma chatice obrigar alguém a fazer alguma coisa que ele ainda não tinha condições de fazer, em casa, estudava quem queria estudar, mas ela não iria tomar conta. Acho que a única vez que ela foi chamada na  minha escola foi quando eu fiquei muito brava com um amigo que me passou a mão na bunda, uma brincadeira da época, enquanto eu jogava tênis de mesa e eu avancei nele, enchendo a cara dele de porrada. Desci o cacete, sem dó e nem piedade, tadinho, ele ficou todo roxo.  Olho inchado, sem conseguir abrir. Fiquei penalizada ao vê-lo. Tomei uma suspensão. Como minha mãe também tinha descido o cacete em um amigo da faculdade de arquitetura dela, na mesma época, ela foi na minha escola e ainda me deu razão. Foi o que ela disse. Nós duas ficamos 3 dias em casa.

Detestamos nos sentir manipuladas e invadidas. Mas deixamos de resolver estas questões na porrada. Eu amansei quando me senti protegida por Deus há 10 anos atrás. Acalmei quando entendi que tudo que existe e se manifesta é projeção da mente, e mudei o foco da minha atenção. Sim, sou muito focada em tudo o que faço. Tenho um enorme poder de concentração. Adoro terminar o que comecei e sou bem disciplinada, mas ainda me irrito um pouco, confesso, se alguém quiser roubar minha atenção e não me deixa fazer o que me propus a fazer naquele dia e naquele horário. A braveza com violência  tem muito a que ver com o sentir-se desprotegido e a enorme vontade de não ser atacado, para não ter que se defender usando dos métodos de que se dispõem.

Pensa que a pessoa que  me deu lugar no mundo, respeita meus horários  porque ela também está ocupada de sí mesma.

Gente desocupada de sí mesma enche o saco. São insaciáveis nos seus desejos e desconhecem  suas reais necessidades. Pessoas assim são como velas ao vento, voam sem direção própria, voam segundo o vento do momento.

O respeito me dá tesão.

 

 

 

 

 

Mãos

Adoro mãos. Sou uma observadora e apreciadora de mãos femininas. Prefiro as que deixam os esmaltes para as ocasiões especiais. Mas os pés, estes nem nas ocasiões especiais devem levar as unhas pintadas, eu detesto.

Amo pés também. Tenho muita sensibilidade nas palmas das mãos. Eu e as crianças autistas, que um dia cruzaram meu caminho no consultório psicanalítico, sempre nos comunicamos pelas palmas das mãos. Parece coisa de outro planeta, eu sei, mas a gente se conversava encostando levemente as nossas palmas abertas das mãos. A gente se sentia assim, como se estivesse ouvindo uma música. E ainda tem gente que afirma que autista não se comunica…

A linguagem verbal é apenas uma das maneiras de fazer a comunicação acontecer. Sempre me encantei bem mais com a linguagem não verbal.

Tem gente legal cruzando o meu caminho, dona de um olhar doce, e que adora conversar tanto quanto eu.

Nasci conversando. Minha mãe conta que eu fui um bebê muito falante, na linguagem dos bebês, claro ! Tadinha deve ter sofrido com um bebê como eu, ela detesta conversar.

Eu sempre fui prosa. Ainda hoje quando nos encontramos ela reclama um pouco da quantidade de histórias que quero contar, geralmente na hora que ela quer dormir.

Minha bisavó Letícia amava minhas histórias, eu ia visitá-la sempre que podia, pegava o carro e ia sozinha para Campinas, onde ela morava. Uma casa enorme com pomar, e piano de cauda. Sim, minha bisa além de cozinhar muito bem, tocava piano como ninguém e amava uma boa prosa. Sim, somos aristocratas ! Nascemos assim, sim é de berço. Cada um tem a sua origem que deve ser louvada, todos têm o seu berço, o meu,  nesta encadernação é este, graças á Deus !

Eu não tenho problemas em ser o que sou e acho que cada um tem que ser exatamente o que é, mesmo que exista este modismo idiota de se banir do grupo quem é da elite branca deste país. Estava ouvindo a música do Seu Jorge chamada “Burguesinha” e ria sozinha pensando que o sonho de todo petista é namorar uma burguesinha. Não falo de classe operária porque, do meu ponto de vista, somos todos classe operária. Talvez os políticos sejam a exceção á regra e tem os petistas… Petista acha que ele é o único que trabalha. E o pior, o sonho de consumo dele é ser burguês.

Uma vez minha primeira esposa que era toda politizada e nascida no Grande ABC, tentou me subestimar me chamando de burguesa. Eu imediatamente me defendi : Burguesa ? Não ! Eu sou aristocrata. Aristocrata decadente, mas sou.

Ela ficou completamente sem ação, caímos na gargalhada e nunca mais ninguém me chamou de burguesa. Enquanto as pessoas ficam se maltratando com rótulos e julgamentos, a bolsa de valores vai formando uma nova classe social, a de jovens milionários e ousados, também operários, afinal tudo é trabalho.

O dinheiro move o mundo. Desculpe-me, a falta de dinheiro move o mundo e a criatividade inaugura novos arranjos sociais, políticos e culturais.

Diferenças de classe social e educação são comuns nas minhas relações amorosas, e isto não é um privilégio da minha vida e nunca me afastou ou me aproximou de ninguém. O que une dois corações é o calor da reciprocidade.

Gostoso é ter uma pessoa que me olha com carinho e atenção, me faz elogios, lê todos os dias o meu blog e ainda conversa horas comigo no telefone sobre o último texto. Tem gente que é verso.

Gente que conta história enquanto faz estória ao meu lado, faz com que eu me sinta importante e especial. Afinal, dedicar o próprio tempo á alguém é uma declaração de amor.