Não estou conseguindo manter um estoque de comidinhas no freezer. Isto é ótimo por um lado, significa que as vendas estão ocorrendo com uma velocidade considerável, mas é ruim por outro lado, porque eu não consigo descansar nem um dia.
Os preferidos são o Kibe de abóbora e a quiche de 4 cogumelos frescos. Iguarias. Ficaram muito saborosos, eu sei. Ontem as 16h, recebi uma encomenda e fui correndo na Liberdade refazer os estoques de cogumelos, comprei uns cogumelos secos também, para fazer umas experiências. Tem um bem diferente de tudo o que já vi na vida. Tomara que seja bom. Foi caro. Hoje cedo entreguei a torta pronta. Isto significa que fiquei cozinhando (e arrumando a cozinha) até às 23h. Hoje fui no atacadista, minha cozinha está limpa e arrumada e eu vou deixar para cozinhar amanhã.
Quero fazer panquecas. Deixar umas quiches prontas e congeladas e refazer o estoque de kibe de abóbora. O último, feito há 3 dias atrás, acabei de vender para a vizinha. Estou atendendo online os pacientes e ainda não me acostumei, mas a plataforma da doctoralia é excelente. Atendo por ela. Ainda bem. Detesto quando tudo trava.
No sábado, eu estava no curso online no Meet do Google e travava a câmera e em seguida travava o microfone. Um inferno. Detesto coisas que não consigo resolver. E você sabe que assistir ao tutorial no YouTube não é tarefa simples para minha paciência.
Tomei uma dose do remédio do Samir. Estou me sentindo a própria estação de trem em final de expediente, com os trens sendo recolhidos, dando o último apito, antes de parar, sabe? Recolhendo para descansar.
Estou preocupada com a quantidade de gente nas ruas sem máscara pedindo comida. Moradores de rua. Provavelmente se alimentavam com a ajuda dos restaurantes em funcionamento, mas agora com tudo fechado, eles não devem estar recebendo doação de alimentos dos lugares rotineiros. Eu imagino. Sei que estou sentindo medo de sair dos lugares carregada de produtos para preparar minhas comidinhas. E nunca senti medo em lugar nenhum. O centro de São Paulo está assustador. A saída dos supermercados também.
As pessoas não pedem ajuda elas exigem. Isto é muito assustador porque parece que você não faz mais do que a obrigação de ajudá-las. Eu as enfrento. Cara a cara. Se eu comprei estes produtos é porque eles são necessários para mim. Eu não quero dividí-los com você. Não adianta vir tentar me constranger com a sua miséria. Eu sinto muito se você está miserável. Mas eu não te dou o direito de me obrigar a te ajudar.
As pessoas usam de muitas artimanhas para atingirem seus objetivos. Aumentar a própria miséria é uma delas. A auto piedade é outra delas. Se eu tivesse esta postura que tenho hoje, de saber o que é meu e o para quê ele me serve, muita gente que acolhi nunca teria se aproximado de mim. É um erro a gente se misturar com gente que não é da nossa tribo. Não somos iguais e jamais seremos.
Acho engraçado como eu posso trabalhar e as pessoas que me acham rica passam o tempo delas olhando para mim e não trabalham. A maneira como cada um ocupa o próprio tempo é determinante de muita coisa.
Se eu cuido das coisas, elas irão durar mais e estarão conservadas, bem mais do que aquelas que são descuidadas ou largadas. Mas esta regra não vale para as relações humanas. Nem sempre as relações que você mais cuida são as mais duradouras. Nem sempre as pessoas que você mais preza são as que te prezam também, com a mesma consideração. A mentira permeia muita situação, e ao longo do tempo, as relações deste tom apodrecem. Sem frutos.
A maior miséria que encontrei na vida foi a da fome de alegria e amor. Pessoas de coração cristalizado e frio. Não sei como elas ocupam o próprio tempo, mas não me intimidam com seu pseudo poder. As encaro cara a cara também.
Pobres miseráveis não diferem em nada de ricos miseráveis, se olharmos pelo prisma da intimidação, arrogância e exigência.

