Pão de abóbora

Daqui onde estou vejo a lua em pé e pela metade no céu. Laranja. O perfume de pão de abóbora assando é estonteante. Penso em tomar um banho gelado. A felicidade e a satisfação são enormes. Meu amado primo me enche de esperança com os conhecimentos tecnológicos que possui. Formamos uma dupla imbatível de trabalho criativo. Você não sabe mas ele tem uma voz maravilhosa. Tem gente que me faz bem só de ouvir.

O bonito é que nós sempre nos gostamos. Desde de pequenos. A vida nos separou e minha intuição nos reaproximou. Tomara que daqui até o último dia de nossas vidas a gente se acompanhe.

Preciso de gente inteligente e criativa por perto. Entendi que você pensa mil coisas ao mesmo tempo e faz outras mil coisas enquanto pensa. Eu não me incomodo. Mas acho importante concluirmos um projeto por vez. A dispersão não me cai bem. Sei o quanto você é dedicado e busca pelo melhor, pelo perfeito, mas as vezes temos que aprender a nos contentar com o que temos para hoje.

Você carrega a insatisfação dos grandes artistas frente às próprias obras. Talvez você seja artista. Já pensou nisto? Mesmo as obras inacabadas são entregues. Não se esqueça disto.

Acabei de tirar uma fornada de pães salgados do forno. De obóbora. Estou esperando o forno esfriar para colocar a fornada dos pães doces. Também de abóbora. Uma encomenda. Confesso que comi 3 fatias de um salgado e está simplesmente divino.

Amo ser padeiro. O astral do pão é completamente diferente do astral das comidinhas. Eu não entendo de música ou de Clave de Sol, mas o pão seria uma oitava acima de uma nota. O astral é protetor, é aconchegante, é fechado, é purificador.

Pessoas também tem astral. Eu os percebo antes mesmo delas aparecerem. A sua solidão vazia sempre me impressionou. Não combinava com sua alegria entusiasmada. Mas até para as coisas que não combinam eu tenho consideração e lugar. Gosto de observar como elas reverberam em mim. Cada dia que passa eu acredito mais um pouco que você tenha problemas profundos para dar conta. Eu não posso te ajudar. Você não aceita ser confrontada consigo mesma. Prefere se enganar e fazer de conta que é feliz. Eu tenho que respeitar o que você alcança ouvir e saber. De longe. De perto eu me machuco. Não acho correto comigo mesma. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Disse o poeta. Se der, seja feliz!

A lua está amarela agora. Caminha traçando no céu um risco da direita para a esquerda. Bonita demais.

Pão de abóbora crescendo. Foto Marília Litvinu

Deixe um comentário