Estou seguindo todas as recomendações da Helena, achei tão bonito saber que devemos manter os ritmos de alimentação, descanso, medicação, trabalho, atividade física e oração, porque o corpo fica esperando.
Eu deixei meu corpo esperando por muita coisa, durante muito tempo. Tenho muita dificuldade de manter rotinas, tenho a tendência a bagunçar todos os ritmos. Mas também porque eu não sabia que tinha alguém me esperando. Pensa que a última coisa que eu faço com alguém é deixá-lo me esperando. Tenho horror disto.
Passei anos da minha primeira infância esperando pelo meu pai, e ele não apareceu. Sonhava que ele pudesse vir me tirar da casa da minha avó e me levar de volta para o sítio onde morávamos na nossa vida feliz. Sim, até os meus 6 anos de idade eu tive uma vida muito feliz. Mas ele vinha de 6 em 6 meses, trazia uns presentes caros para o bolso dele e tínhamos uma visita vigiada pelo olhar crítico da minha avó e o olhar vingativo da minha mãe, na sala se estar. Meu pai foi um homem bom casado com uma família má. Mas ambos não sabiam disto.
Por conta desta longa espera eu tenho horror de deixar alguém me esperando. Claro que às vezes eu me atraso ou me esqueço, mas costumo ser extremamente atenciosa com todas as pessoas que encontro. Sim, ser pontual é uma atenção. É um carinho com quem nos aguarda. Responder mensagens no mesmo dia, é outro carinho. É uma atenção também. Quando a pessoa consegue responder quase que no mesmo instante, é o máximo da atenção. Ser privilegiado pela atenção de alguém é presente.
Entende porque não posso deixar meu corpo me esperando? Não me pergunte como ela sabia que eu estava deixando-o sem comer, sem dormir muito e sem tomar remédio com frequência, mas ela sabia. Tenho que tomar um remédio antroposófico toda noite para o meu joelho, mas não tomo.
O Samir me deu uma dose única de uma medicação “levanta defunto” na última vez que estive lá. Ele vai rir, se ler este texto e dizer que estou exagerando, mas eu sei o quanto ele ficou abalado ao meu ver tão triste. Acho que ele nunca me viu tão triste em 30 anos de relação.
Enfim, o defunto levantou. E a medicação fez efeito. Voltei a sorrir e a cantar. A Helena é meu maior remédio, mas eles não sabem disto. Ouço tudo o que ela me fala, mas não fico carregando-a como uma paixão, e nem como uma amiga, ela é uma sacerdotisa, artista da alma, que me faz repensar atitudes e me conta da importância de eu cuidar de mim e do meu corpo, me ensinando o caminho. Ela diz que aprende um monte de coisa comigo também. Me pediu para eu dormir muito e não me aborrecer e nem me preocupar com nada e com ninguém porque isto faz a perna inchar e o joelho doer. Adorei saber disto.
E toda vez que estou começando a cair na tentação de me aborrecer eu lembro do meu joelho e da conversa sobre os ritmos. A conversa sobre o repertório, eu nunca mais vou esquecer. Ela me salva de todo e qualquer aborrecimento. E o melhor, me faz gargalhar.
Quando contei para ela o meu peso e disse que tinha conseguido emagrecer 1.500kg naquela semana e estava radiante, ela não acreditou que eu pesasse tudo aquilo. “É que meu corpo engana bem, eu sou uma sanguínea”, eu disse, e ela riu. Cada temperamento tem seu desafio. Os sanguíneos provavelmente devem ter que aprender a lidar com os ritmos e aprender a lidar com as simpatias e antipatias, de maneira que não frequentem mais o céu ou o inferno nas relações interpessoais.
O bonito não é a teoria, isto está nos livros do Rudolf Steiner, qualquer um pode ler, mas conseguir trazer a teoria para o universo e linguagem de cada um é uma arte. Um artista precisa se cuidar com outro artista. Semelhante cura semelhante. Este é o princípio da homeopatia descoberta pelo Dr. Samuel Hahnemann em 1779 aos 24 anos de idade. Incrível.
Pessoas geniais não tem idade.
