Moro em um condomínio de minúsculos sobradinhos ocupados por famílias, super silencioso. Onde tem criança ou idoso tem rotina. Assim os horários de maiores e menores movimentações são esperados. Às vezes, no final de semana, um ou outro faz um churrasco, mas até isto não se estende pela madrugada. Termina cedo.
Ontem à noite, já no horário de todos estarem se recolhendo, uma vizinha nova, que mora só com um cachorro, ou dois, ainda não entendi direito, dava gritinhos de êxtase enquanto a música bem alta rolava solta na casinha dela. Não sei se era sertanejo, funk, ou uma mistura dos dois. Sei que me chamou a atenção, e fui no quintal ver de onde vinha aquela música. Identifiquei e fui dormir gargalhando.
Na madrugada, não me pergunte o horário porque o celular estava desligado e o relógio de pulso bem longe de mim, ouço a mesma pessoa na rua do condomínio, em frente a casa dela, dando gritinhos orgásticos atrás do cachorro siberiano dela. Gritava alto, o cachorro corria e latia, como que brincando com ela, porta batia, porta abria. Mais gritinhos. Mais latidos. Silêncio.
Eu não consegui acordar para abrir a minha porta e ver o que estava acontecendo porque estava dormindo profundamente, como uma pedra. Mas agora que levantei para tomar água e vestir toda a roupa que tirei enquanto dormia, afinal a noite é mais gelada minutos antes de clarear o dia, eu não consigo parar de gargalhar.
Foi muito engraçado. Eu não consigo descrever. Mas foi muito legal. Eu não sei o que estava acontecendo, mas seja lá o que for, está me divertindo até agora.
Se bem me conheço vou demorar uns dias para parar de rir. E peço a Deus que esta mulher não cruze o meu caminho porque seguramente eu vou explodir de rir como criança que segura a risada até quando não dá mais, e aí explode numa gargalhada bem alta.
Eu não acho que ela estava fazendo sexo e não sei como os casais daqui fazem sexo. Mas sei que são muito discretos e silenciosos, se é que ainda fazem esta coisa tão bem vista e tão praticada no século 19.
O tesão sexual está caindo em desuso no século 21. E eu não sei transar em silêncio porque sexo para mim é uma festa gostosa e animada, tomara que meus vizinhos se divirtam comigo também, quando me ouvirem.

