Moleza

Estou assando quiches de 4 cogumelos frescos e de damasco com nozes e gorgonzola. O pão integral de ontem ficou lindo, mas resolvi fazer um outro colocando o grão de trigo inteiro integral, para ter uma variação sobre o mesmo tema.

Não estou comendo pães e nem nada com farinha de trigo ou farinha de rosca desde que comecei a tomar a medicação do Samir. Fico tão zen que consigo me controlar. E não fico exaurida de tanto cozinhar, como fazia com frequência.

Se eu estivesse sem tomar os remédios, eu estaria lavando a louça e a cozinha, isto depois de amassar a segunda fornada de pão, fazer o doce compota de damascos secos e ter saído para comprar ovos e já ter voltado.

Enquanto as quiches assam, eu estou onde? Na rede, escrevendo. E a cozinha? De pernas para o ar. E eu? Não estou minimamente preocupada. Remédio para ansiedade da antroposofia de Rudolf Steiner, eu ainda não sei se é bom ou ruim. Sei que me retira toda a pressa e agilidade. A vontade. Mas me dá uma paz e um tempo enorme para fazer uma coisa por vez bem devagarinho.

Dia 27 sai o resultado do edital. E a B3 despencou. Duas contigências que me deixam em tensão, naturalmente.

As imagens dos cidadãos do Afeganistão desesperados com o golpe de estado dos Talibãs me deixaram em choque ontem também. A crueldade apavora e a gente quer fugir para bem longe, mesmo sabendo que não cabe mais ninguém no avião.

Têm situações nesta vida que não há nada que a gente possa fazer a não ser esperar. A gente se sente mais digno por ter tentado fazer alguma coisa, eu sei. A gente precisa de explicações lógicas e tenta humanizar Deus em sua onipotência, com relações causais e comerciais, para nos acalmarmos, mas de fato sabemos que não há explicação para a permanência da atrocidade no poder.

Eu acho que a gente sofre menos quando acredita em explicações com fundo de “penalidade ou castigo”. Somos todos filhos de Deus e ninguém merece sofrer nas mãos da barbaridade. Mesmo sem entender o porquê, a gente sofre. A gente acredita em um futuro próximo melhor, a gente acredita em construção de uma vida mais amorosa e prazerosa. A gente tem esperanças de ser feliz nesta vida, depois que a maldade passar.

Sentimos medo e pavor de sermos torturados e isto não nos protege de nada. Passamos fome e frio e isto não aumenta nossa resistência, mas nossa revolta arde.

O instinto de luta fica solapado pelo instinto de fuga. O desrespeito é tamanho que inclusive os instintos não são preservados e estão dilacerados.

A gente costuma colocar na Vontade de Deus tudo o que ocorre de positivo e de negativo na nossa vida, mas eu desconfio que Ele não tenha vontade.

Vou tirar as quiches assadas do forno e sair para comprar os ovos e a farinha integral. Eu sigo receitas.

Deus não segue receitas de bolo. Tem sua lógica própria e de difícil compreensão. A gente só pode aceitar e agradecer, aconteça o que acontecer. E o livre arbítrio? Você pode escolher entre espernear e rezar. Só isto.

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