Impasse

Tenho escrito textos lindos na minha cabeça e não tenho tido tempo de publicá-los, peço desculpas ao meu leitor que me acompanha diariamente. Eu me envolvo demais com as causas alheias e acabo deixando os meus prazeres e necessidades em último lugar. Melhorei 70% desde que nasci, mas quando a demanda alheia é muita eu fico sem hora para escrever, para fazer ginástica, para comer.

Achei tão gostoso receber um whatsapp de uma leitora dizendo estar preocupada comigo porque fazia 5 dias que eu não publicava nada. Estou trabalhando demais e ficando exausta.

Ontem dormi no volante por 5 vezes, e só consegui voltar para casa, inteira, porque eu abri a janela do carro e deixei a chuva me molhar e acordar. Foi punk o final de semana. Amo receber meus amigos para fazer churrasco aqui, mas a faxina do pré e pós festa quem fez? Eu. Isto não está correto.

Quem cuidou da ressaca da visita, lavando banheiro vomitado á meia noite, além da roupa dela pendurada no varal ? Eu. Isto também não está correto.

O pior é que não adianta me dar dinheiro. Eu não tenho empregada. Tem que me ajudar a limpar e deixar em ordem se quiserem vir aqui. Tem que saber beber e não vomitar na minha casa se quiser vir aqui.

Dedicar tempo ao outro e fazer junto com o outro vale mais do que dinheiro. Dinheiro é papel. Papel não tem verbo. Varrer é verbo. Lavar é verbo. Guardar é verbo. Precisa de gente para colocá-los em ação.

Minha casa é sempre linda, arrumada e perfumada porque tem alguém que a deixa assim: Eu.

Pensa que eu já vinha de uma semana exaustiva com 11 propostas, das quais 6 abriram. Só quem trabalha na área sabe o que isto significa. Enfim, dormi 9 horas seguidas esta noite, e estou quase boa de novo.

Sabia que meu carro virou minha casa? Sabia que dirijo por São Paulo diariamente mais de 10 horas por dia? Sabia que o pouco tempo que tenho livre eu quero ficar comigo? E se eu escolhi ficar com você e na sua casa é porque eu estava gostando muito de você? Dedicar o pouco tempo que se tem de folga á passar com alguém é um ato de amor.

Eu amo meu trabalho. Acho ótimo não ter tempo nem para comer e bagunçar todos os horários de alimentação. Mas sinto falta de escrever este blog. Sinto falta de fazer exercícios. Sinto falta de criar esculturas e aquarelas. Que são alimentos para o meu espírito.

Ainda estou observando o robô da plataforma do Quinto Andar e tentando descobrir como farei para enganá-lo. Sim, se eu não fizer isto, e colocar todos os meus horários que sinto falta, na plataforma, como prioridade, eu não recebo mais do que 3 clientes e isto não é bom. Ganho na quantidade. Recebo em média 12, 14 clientes por dia. Isto sem bloquear os horários.

Pensa que bloqueei o dia de hoje, como eventual e ele me deu um monte de clientes ontem, vamos ver amanhã. Percebi que não posso deixar os bloqueios de horários como fixos porque recebo pouquíssimos negócios. Vamos ver amanhã, o que este robô fará, aí eu posso afirmar que o melhor a fazer é bloqueio temporário semanalmente.

Robô não tolera a constância e a continuidade. É burro. Acha que a gente produz mais e melhor na bagunça de ritmos e tempos. Eu conhecia bem o robô da corretora Clear quando apliquei no mercado de opções, aquele sim era cruel. Este ainda está sendo observado.

Não sou mais uma corretora 5 estrelas, agora sou uma 4.9 estrelas. Pergunta se eu estou minimamente preocupada com esta besteira de estrelas. Isto é tão ridículo que gargalho, alto. Você come estrelas? Você dorme estrelas? Elas limpam a sua casa depois do churrasco? Então elas não servem para nada. Estrelas não são verbo.

A gente é que tem que saber que é excelente na prestação de serviços, não as estrelas do robô da empresa onde se trabalha.

Se ele servisse para alguma coisa, me enviaria os clientes de 20 mil reais. Aí sim eu poderia trabalhar menos e ganhar mais.

Trabalhar é verbo. Descansar e Comer também.

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