Que a gente nunca se acostume com os maus tratos, com os abusos e com as judiaçōes. Nem com as invasões. Retirei o texto de ontem do ar. Não vale a pena propagar o desnecessário.
O sofrimento e o seu excesso tem uma única vantagem, nos tornar mais humanos, no sentido de solidários e pacíficos. Penso que a facilidade e o livre acesso ao auto conhecimento tenha sua origem no sofrimento inenarrável. Com isto não estou dizendo que devemos fazer o maior número de pessoas sofrerem o pão que o diabo amassou para que assim tenham uma auto consciência sofisticada e humanitária. Não é isto.
Estou dizendo que quem já se fudeu muito na vida, e desde de criança, pode não se revoltar e nem se indignar, se conseguir entender que o sofrimento foi apenas um caminho. O qual não precisa ser reproduzido.
È necessàrio um Amor profundo pelos agressores, pela humanidade, e por si mesmo, para se conseguir olhar para trás e agradecer a todos os envolvidos. Mas o melhor da vida é quando temos com quem conversar sobre isto tudo e esta pessoa consegue reconhecer o inevitável Amor que nos habita e nos qualifica.
Uma hora juntos parece um século, pelo tanto de coisas que conseguimos elaborar, transformar e transmutar. A rapidez e a intensidade, características de quem é àvido pela Verdade, geralmente se manifestam em pessoas que sofreram precocemente com a barbárie. Parece que a gente não tem tempo a perder e com isto sorvemos cada segundo do encontro acolhedor, como se fosse o último. Aproveitar ao máximo da presença amorosa faz o tempo render como arroz na panela. Muito.
Cada surra que levei na vida, me fazia pensar (enquanto eu apanhava) que quando eu crescesse, e tivesse meus filhos, eu jamais bateria neles, em hipótese alguma. Cresci, não tive filhos, mas meu conhecimento do que significa ser espancado ajuda muita gente, que confia em mim, a viver em paz e conseguir pouco a pouco, perdoar e amar , inclusive a si mesmo.
Somos seres criativos, temos que criar novas maneiras de nos relacionarmos para não repetirmos violências e atrocidades, e ainda considerar isto um padrão de normalidade.
Agradecer sempre. Reproduzir jamais.

