Café

Acordei cedo. Dormi tão bem. Amo café de coador. Detesto café em cápsulas. Não fervo o pó com a água como minha bisavó fazia, porque uso chaleira elétrica, mas tenho uns truques para deixar o café em pó no filtro de papel inesquecível de bom. Hoje me lembrei de fazer o passo a passo. Ficou encorpado e perfumado. Não é sempre que me lembro dos truques, e às vezes tomo um café ralo, sem perceber. Exaustão é uma merda. Voltei pra cama. Se eu pudesse não sairia daqui hoje.

Retirei do ar o texto ” Ética” porque me deu muita tristeza tudo o que fui revivendo ali, enquanto escrevia. Tem passado que é tão presente. Machuca ainda. Ficou um texto pesado e verdadeiro. Mas eu preferi retirar. Uma hora eu releio o escrito, corto alguns nomes e republico. Não gosto de citar nomes. Acho que não devemos dar nomes aos bois quando falamos de coisas da vida. Por mais pesadas que elas sejam.

Nomes são apenas personagens. Pouco importam. A situação em si importa enquanto aprendizado, enquanto história, enquanto memória. Não as pessoas. Nomes de pessoas que voce não conhece não faz o menir sentido ser publicado. Eu tenho história com elas . Eu criei vínculo com elas. Você criou um personagem na sua cabeça a partir do meu olhar em uma determinada situação. Não tem a sua experiência com a pessoa citada. Então não vale.

Uma pessoa pode ter sido filha da puta a vida toda com todo mundo e com você ser completamente diferente, e ser super ética. O que vale é a memória que uma pessoa deixa na gente, em uma determinada circunstância. Sabendo sempre que aquele é um momento, é uma fotografa e não um mineral cristalizado.

Eu falei que fiz café em pó no coador mas não fiz propaganda de marca alguma. É meio isto. Não quero fazer propaganda de ninguém. Cada um que cuide do próprio merchandising e da própria reputação. Eu sei de mim.

Ontem visitei um condominio de prédios tão lindo, mas tão lindo que se eu tivesse 13 mil reais para gastar com aluguel eu moraria lá. Super organizado. Cheio de crianças com seus professores e recreacionistas. Com ateliês de leitura e de arte. Com cabeleireiro. Com padaria. E os jardins? Estilo japonês. Cuidadosamente delicados. Apaixonante.

Pensa que estamos de férias escolares e eu visito 4 a 5 condomínios neste padrão por dia, com clientes, e acho estranho nenhum deles ter crianças brincando nas piscinas enormes e nas áreas de lazer. Este a que me refiro tinha vida, tinha alegria. E o valor do condominio, frente a todo o conforto, segurança, alegria e beleza oferecidos, era bem barato.

Mas, não tinha piscina coberta e meus clientes querem piscina coberta. Provavelmente escolherão outro que fomos visitar. Cada um sabe o que melhor lhe atende e o quanto está disposto a pagar pelo próprio café e pela própria paz.

Ás vezes a gente se engana. Vai morar em um lugar achando que encontrou o paraíso e, quando se dá conta do todo de tudo, lembra do ditado: “Por fora, bela viola, por dentro pão bolorento”.

Morar bem é questão de sorte também. Não basta ter dinheiro, ter educação, ter etiqueta, ter cultura e ter bom gosto. Precisa ter sorte.

Eu tive a sorte de ter vizinhos que apreciam meu café e meu gosto musical. Uma garrafa térmica de café é muito para uma pessoa só.

3 comentários em “Café

  1. Lindo texto. Tenho pensado justamente sobre a questão de “dar nome aos bois”. Tenho me esforçado pra não fazer isso e tem sido um grande desafio, mas quem sabe uma hora isso se torne natural pra mim.

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